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Denunciado por violência doméstica, vice-governador Pivetta é alvo de protestos e não comparece ao Encontro do PL Mulher

Denunciado por violência doméstica, vice-governador Pivetta é alvo de protestos e não comparece ao Encontro do PL Mulher
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O Encontro do PL Mulher em Sorriso, realizado neste sábado (1º), foi marcado por manifestações, discursos de lideranças e um clima político intenso que expôs divergências internas dentro do partido em Mato Grosso. O evento, comandado pela ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, teve como objetivo fortalecer a participação feminina na política e reafirmar os valores conservadores da legenda, mas também acabou sendo palco de protestos contra a violência às mulheres e contra a possível aproximação do PL com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Um pouco antes de iniciar o evento faixas com frases de repúdio à violência doméstica foram colocadas por militantes nas imediações do local onde ocorria o encontro. As mensagens, segundo informações obtidas pela redação, partiram de lideranças ligadas ao próprio PL, especialmente de mulheres do partido que se opõem à ideia de uma eventual aliança entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o vice-governador nas próximas eleições. A manifestação fazia referência direta ao episódio ocorrido em 2021, quando Pivetta foi denunciado e chegou a ser preso em flagrante após um caso de violência doméstica que ganhou grande repercussão nacional. Pouco tempo após o início do evento, as faixas foram retiradas pela organização, o que gerou comentários entre os participantes.

O nome de Otaviano Pivetta chegou a ser anunciado pelo cerimonial para compor o dispositivo de honra do encontro, mas o vice-governador não compareceu, o que foi notado por vários presentes. A ausência dele foi interpretada por muitos como uma tentativa de evitar constrangimentos diante da presença de Michelle Bolsonaro e de lideranças que vêm se posicionando publicamente contra qualquer aliança com figuras que tenham histórico de agressões contra mulheres.

Durante o evento, Michelle Bolsonaro discursou em tom firme, defendendo a importância do engajamento feminino e pedindo vigilância dos eleitores para que escolham candidatos realmente comprometidos com os valores conservadores. Ela fez críticas ao Judiciário e alertou contra políticos que, segundo ela, “surfam na onda do bolsonarismo” sem realmente defender o movimento. As falas de Michelle foram vistas como um reforço à ala do partido que defende candidaturas próprias e alinhadas ideologicamente à direita, em especial a do senador Wellington Fagundes, que surge como o principal nome do PL para a disputa do governo de Mato Grosso.

O encontro também serviu como uma vitrine política para as lideranças estaduais. O senador Wellington Fagundes foi amplamente citado e ovacionado durante os discursos. Em entrevista, ele reafirmou seu compromisso com a valorização da mulher e com o fortalecimento da representatividade feminina nos espaços de poder. Fagundes lembrou que é autor de um projeto que propõe destinar no mínimo 30% das vagas do Legislativo e das candidaturas para mulheres, argumentando que mais de metade do eleitorado brasileiro é feminino e que, por isso, a presença delas na política é fundamental. Ele também destacou a necessidade de políticas públicas que ofereçam suporte à mulher trabalhadora, como o funcionamento das escolas nos fins de semana e a equiparação salarial entre homens e mulheres. Segundo ele, é preciso combater a desigualdade que faz com que mulheres, mesmo com igual competência, ainda recebam menos.

O presidente estadual do PL, Ananias Filho, aproveitou o evento para reafirmar que o partido terá candidatos próprios em Mato Grosso e afastou a possibilidade de qualquer acordo com o Republicanos. Ele destacou que o senador Wellington Fagundes é o nome escolhido para disputar o governo e que o deputado federal José Medeiros deve ser o candidato ao Senado.

“O PL fez o dever de casa. Ano que vem teremos candidaturas do PL em Mato Grosso. O senador Wellington é o nosso pré-candidato a governador, Medeiros ao Senado, e não abriremos mão disso. O PL vai continuar lutando porque acreditamos e temos o povo do nosso lado”, afirmou, em um discurso que foi amplamente aplaudido.

Rosana Martinelli também se pronunciou, destacando a importância de Wellington Fagundes para os municípios e reforçando seu apoio à pré-candidatura dele. Segundo Rosana, o senador tem uma trajetória marcada pelo trabalho municipalista e pela capacidade de levar recursos a todas as regiões do Estado.

“Sou suplente pela oportunidade que ele me deu e continuo trabalhando por sua pré-candidatura. Ele conhece o Estado, trabalha incansavelmente e está preparado para ser o próximo governador de Mato Grosso”, afirmou.

A deputada federal Coronel Fernanda, por sua vez, foi enfática ao declarar que o PL está unido em torno de Wellington Fagundes e alertou sobre políticos que mudam constantemente de posicionamento.

“O PL é Wellington Fagundes. Precisamos de fidelidade e confiança. Cuidar com quem não sabe o que quer e vive pulando de cerca. Confiança é o mais importante”, afirmou, em referência indireta a Pivetta, e a outros possíveis candidatos já foram filiado a outras siglas e hoje é visto por parte da militância como uma figura distante dos ideais bolsonaristas.

A ausência de Pivetta e a retirada das faixas de protesto não diminuíram o tom das conversas de bastidores, que giraram em torno das divisões internas do partido e do desconforto causado pelos rumores de que Bolsonaro estaria inclinado a apoiar o vice-governador. Para as lideranças presentes, o evento em Sorriso serviu como uma resposta clara: o PL em Mato Grosso pretende seguir unido em torno de candidaturas próprias, alinhadas ao bolsonarismo e às pautas conservadoras, e não aceitará alianças que comprometam esses princípios.

Com forte participação feminina, discursos afinados e demonstrações de unidade, o encontro consolidou o nome de Wellington Fagundes como o principal representante da direita em Mato Grosso. O episódio também isolou Otaviano Pivetta nas articulações políticas e reforçou a imagem de um partido que, apesar das tensões internas, busca coerência entre discurso e prática. Ao final, o Encontro do PL Mulher em Sorriso terminou com aplausos, abraços e a clara sensação de que o grupo saiu fortalecido transformando um início marcado por protestos em um ato político de afirmação, fidelidade e estratégia rumo às eleições de 2026.

Por Daniel Trindade

Célio

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