Aluguel mais caro, patrimônio mais distante: por que financiar voltou a fazer sentido
Por Diogo Reis
Para famílias de Mato Grosso, o início do mês foi marcado por um desafio recorrente: o valor do aluguel em um orçamento cada vez menor. O que antes era uma solução transitória tornou-se um compromisso estrutural, que consome renda, reduz a capacidade de poupança e limita o planejamento financeiro no médio e longo prazo.
Os dados ajudam a explicar essa percepção. Em 2025, os novos contratos de aluguéis iniciais registraram alta média de 9,44% no Brasil, segundo o Índice FipeZAP, percentual que mais que dobrou a inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%.
Em Cuiabá, a pressão é ainda maior. O mercado imobiliário local projeta aumento de 14,61% nos valores de locação, com o metro quadrado saltando de R$ 39,83 para mais de R$ 46. Nos municípios do interior de Mato Grosso, especialmente aqueles impulsionados pelo agronegócio, a combinação entre crescimento populacional, alta demanda e oferta limitada intensifica esse movimento, tornando o aluguel um custo cada vez menos previsível para as famílias.
Nesse contexto, o programa “Minha Casa, Minha Vida” volta ao centro da estratégia financeira de quem busca previsibilidade e formação de patrimônio. Entre 2025 e 2026, os subsídios podem chegar a até R$ 55 mil para famílias de menor renda, reduzindo significativamente o valor financiado. Somam-se a isso taxas de juros a partir de 4% ao ano (abaixo das praticadas no mercado tradicional) o que permite que, em muitos casos, a parcela do financiamento seja equivalente ou inferior ao valor do aluguel.
O alcance do programa também foi ampliado. Famílias com renda mensal de até R$ 2.850 concentram os maiores subsídios e juros mais baixos. Para rendas de até R$ 4.700, há subsídios parciais, enquanto quem recebe até R$ 8.500 acessa crédito com condições diferenciadas. Desde 2025, o programa passou a contemplar também a classe média, com financiamentos para rendas de até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil.
Outros fatores reforçam essa atratividade: possibilidade de composição de renda, uso do FGTS para entrada ou amortização do saldo devedor e prazos que podem chegar a 35 anos, tornando o compromisso mensal mais compatível com a realidade das famílias do interior do país.
Enquanto o aluguel segue sujeito a reajustes frequentes e imprevisíveis, o financiamento oferece previsibilidade. A partir de 2026, com a implementação gradual da Reforma Tributária, mudanças nas regras podem impactar os custos do setor imobiliário e pressionar ainda mais os valores de locação. Antecipar a decisão de compra, nesse cenário, passa a ser também uma forma de proteção financeira.
O financiamento imobiliário, quando bem compreendido, deixa de ser apenas dívida e se consolida como instrumento de acesso ao patrimônio. Em estados como Mato Grosso, onde o dinamismo econômico pressionou a demanda por moradia, adiar essa decisão pode significar pagar mais para construir menos patrimônio ao longo do tempo
É hora de virar a chave. Trocar a incerteza dos reajustes por estabilidade, patrimônio e segurança. Quem decide agora, protege o futuro da família e aproveita uma oportunidade que não deve ser adiada.
*Diogo Reis é diretor da GRF Incorporadora – empresa mato-grossense que constrói moradias populares no Brasil.



