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Cancelamento digital: risco ou oportunidade?

Cancelamento digital: risco ou oportunidade?
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Nos últimos anos, o fenômeno do cancelamento digital se consolidou como uma das práticas mais controversas da internet. Ele acontece quando uma pessoa, empresa ou marca é exposta e criticada de forma massiva em plataformas digitais devido a uma atitude, fala ou comportamento considerado inaceitável por parte da opinião pública. Se, por um lado, pode ser interpretado como uma forma de responsabilização, por outro, levanta debates sobre linchamentos virtuais, exageros e destruição de reputações. Afinal, o cancelamento é um risco inevitável para quem vive na esfera digital ou pode ser transformado em oportunidade?

O risco do cancelamento

O primeiro ponto a ser destacado é o impacto negativo imediato. Uma acusação viral pode manchar a imagem de uma pessoa ou marca em questão de horas, causando prejuízos financeiros, perda de contratos, parcerias desfeitas e danos emocionais profundos. Influenciadores que já foram “cancelados” relatam episódios de ansiedade, depressão e afastamento das redes sociais.

No caso das empresas, o cancelamento pode se traduzir em queda nas vendas, boicotes organizados e perda de credibilidade. Muitas vezes, mesmo quando a situação é esclarecida, o rastro negativo permanece na memória coletiva, dificultando a reconstrução da reputação.

Além disso, existe o risco da falta de proporcionalidade: erros pequenos podem gerar punições gigantescas, enquanto crimes graves podem ser relativizados dependendo do engajamento do público. Essa seletividade mostra que o cancelamento, em grande medida, é mais emocional e impulsivo do que racional.

A oportunidade escondida no cancelamento

Apesar dos riscos, há quem veja no cancelamento uma possibilidade de reposicionamento. Quando bem administrado, um episódio negativo pode abrir espaço para mostrar maturidade, reconhecer falhas e reconstruir pontes com a audiência. Pedidos de desculpas genuínos, mudanças de postura e transparência podem transformar a crise em um processo de aprendizado público.

Alguns influenciadores, por exemplo, conseguiram crescer ainda mais após serem cancelados, justamente porque assumiram os erros, mostraram vulnerabilidade e usaram o episódio para se reconectar com sua comunidade. Marcas também podem aproveitar o momento para revisar políticas internas, adotar práticas mais inclusivas ou responsáveis e mostrar compromisso real com causas sociais.

Em um mundo onde a autenticidade é cada vez mais valorizada, a forma como se lida com o cancelamento pode gerar simpatia e engajamento. O público tende a perdoar quando percebe esforço verdadeiro em mudar.

Cancelamento como termômetro social

É importante lembrar que o cancelamento, apesar de agressivo, funciona como um termômetro cultural. Ele revela o que a sociedade atual considera inaceitável e pressiona figuras públicas e empresas a se adaptarem a novas expectativas sociais. Questões como racismo, machismo, homofobia, desinformação e práticas antiéticas dificilmente passam despercebidas em tempos de vigilância digital.

Isso mostra que o cancelamento, embora doloroso, também cumpre um papel de regulação social, forçando mudanças de comportamento que talvez não acontecessem de outra forma.

Conclusão

O cancelamento digital é, sem dúvida, um risco para quem expõe sua imagem ou marca na internet. No entanto, reduzi-lo apenas a uma ameaça seria simplificar um fenômeno muito mais complexo. Para alguns, ele pode ser o ponto final de uma carreira. Para outros, pode se tornar o ponto de virada que gera crescimento, reposicionamento e reconexão com o público.       Baixar video Instagram

Mais do que temer o cancelamento, o desafio é estar preparado para lidar com ele de forma transparente, responsável e estratégica. No fim, o cancelamento é tanto risco quanto oportunidade — tudo depende da forma como se responde a ele.

Por Izabelly Mende

Célio

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