Sementes ilegais de soja ameaçam produção e podem causar perdas de R$ 8 bilhões
Sementes ilegais de soja ameaçam produção e podem causar perdas de R$ 8 bilhões
Sementes de soja piratas seguem avançando no campo brasileiro. Na safra 2025/26, ao menos 27% da área plantada no País deve usar sementes não certificadas, representando cerca de 13 milhões de hectares fora do mercado formal, de acordo com a dados da Céleres Consultoria, encomendados pela Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass).
O impacto direto do uso de sementes de soja piratas é sentido na produtividade, segundo a entidade. O levantamento indica que o uso de sementes não certificadas resulta, em média, em queda de quatro sacas por hectare. Aplicada à área total fora do sistema formal, essa redução representa 2,8 milhões de toneladas de soja a menos produzidas no país, além da perda estimada de 1,9 milhão de toneladas em exportações e 0,9 milhão de toneladas no consumo interno.
Os dados mostram ainda perdas econômicas, com 16,4 milhões de sacas de sementes certificadas deixando de ser comercializadas. Isso deve gerar um prejuízo superior a R$ 8 bilhões para o setor de sementes e para o produtor de soja nesta temporada. Apenas de royalties genética, o impacto chega a R$ 590 milhões, comprometendo investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas cultivares, segundo relatório.
Em abril deste ano, dados também compilados pela consultoria Céleres, mas na ocasião, encomendados pela CropLife Brasil indicaram que a pirataria de sementes de soja gerou perdas anuais de R$ 10 bilhões ao Brasil na safra 2023/24. Naquele ciclo, a área cultivada com sementes ilegais representou 11% da semeadura nacional — proporção equivalente à área total de plantio de soja em Mato Grosso do Sul, quinto maior produtor do País.
Para o diretor institucional da Abrass, Gladir Tomazelli, trata-se de um efeito em cadeia que compromete toda a estrutura do agronegócio. “Menos sementes certificadas significam menos produtividade, menor geração de empregos qualificados — estimamos cerca de 4,5 mil postos diretos a menos — e menor circulação de renda no agronegócio brasileiro”, disse.
Já o presidente da entidade, André Schwening, destaca que a escolha por sementes certificadas vai além do cumprimento da legislação. “Trata-se de uma decisão estratégica para o produtor e para o país. Semente certificada é sinônimo de produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica. Quando a semente não certificada ganha espaço, todos perdem: o agricultor, a indústria, a pesquisa e o Brasil”, afirma.
Por Lauanda Gomes



