O boom dos criadores que desistiram da monetização
Nos últimos anos, vimos uma verdadeira explosão na economia dos criadores digitais. Plataformas como YouTube, Instagram, TikTok e Twitch ofereceram programas de monetização que, em teoria, transformam qualquer pessoa com talento e consistência em uma pequena empresa de mídia. Contudo, um movimento curioso vem ganhando força: o boom dos criadores que decidiram abandonar a corrida pela monetização formal para seguir outros caminhos.
Essa tendência nasce de uma frustração crescente com as regras, cortes e exigências das plataformas. Muitos influenciadores de médio porte relatam que, mesmo atingindo números consideráveis de visualizações, os ganhos não acompanham o esforço. O famoso “CPM” (custo por mil impressões) varia de forma imprevisível, os algoritmos mudam constantemente e, em muitos casos, o criador se vê trabalhando em ritmo de exaustão para receber valores que mal cobrem seus custos básicos de produção. Esse cenário desencadeou um movimento de ruptura: criadores preferindo abrir mão da monetização nativa e buscar autonomia em seus próprios termos.
Ao invés de depender da publicidade paga pelas plataformas, esses criadores optam por modelos diretos de renda, como clubes de assinatura, comunidades fechadas, consultorias, palestras ou até mesmo produtos físicos e digitais. Essa estratégia, além de dar maior previsibilidade financeira, reforça a conexão com a audiência, que passa a apoiar de forma mais consciente e engajada. Em outras palavras, ao invés de disputar centavos em anúncios automatizados, esses influenciadores constroem ecossistemas onde cada seguidor pode se tornar um cliente ou patrono.
Outro ponto decisivo é a liberdade criativa. Muitos relatam que, ao depender da monetização oficial, sentiam-se reféns de conteúdos “amigáveis para anunciantes”, evitando temas considerados sensíveis ou polêmicos. Com a independência financeira, surge também a possibilidade de explorar narrativas mais autênticas, sem o peso constante da censura indireta imposta pelas plataformas. Esse fator, em um ambiente saturado por conteúdos repetitivos e previsíveis, transforma-se em diferencial competitivo.
O fenômeno não é restrito a criadores pequenos ou independentes. Até nomes consagrados com milhões de seguidores têm repensado a lógica de monetização. Alguns desabilitaram anúncios em seus canais, preferindo viver de patrocínios diretos e contratos exclusivos com marcas, outros criaram newsletters pagas ou migraram parte de sua produção para plataformas alternativas, como Patreon, Substack e OnlyFans — cada uma com propostas diferentes, mas com um mesmo objetivo: devolver ao criador o controle sobre sua renda.
Esse boom dos criadores que desistiram da monetização tradicional mostra uma maturidade do mercado digital. Se antes a ilusão era “viver de likes e views”, hoje a noção é mais estratégica: transformar audiência em comunidade, e comunidade em negócio sustentável. A consequência disso é um cenário em que o criador deixa de ser apenas uma peça da engrenagem das big techs para se tornar protagonista do seu próprio modelo econômico. Baixar video Instagram
No futuro, é provável que vejamos uma convivência híbrida: alguns continuarão na lógica da monetização formal, enquanto outros se consolidam na economia paralela de assinaturas, produtos e serviços. Mas o recado já foi dado: depender exclusivamente das plataformas não é mais a única forma de sucesso. O verdadeiro boom é o da liberdade criativa e financeira, em que os criadores entendem que a monetização não precisa ser um contrato com as plataformas, mas sim uma relação direta com quem mais importa — sua audiência.
Por Izabelly Mendes



