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Quem é Redmayne, o goleiro bailarino que colocou a Austrália na Copa do Catar

Quem é Redmayne, o goleiro bailarino que colocou a Austrália na Copa do Catar
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Com jeitão de um tiozão grunge, com 1,94 metro de altura, uma longa barba ruiva e cabelo bem curto, Andrew Redmayne, o goleiro da seleção da Austrália, é o primeiro herói do futebol da Copa do Mundo do Catar. Com sua estratégia peculiar para defender cobranças de pênaltis – dançando de um lado para o outro da linha do gol, como se fosse um equilibrista sobre um fio, ainda por cima agitando os braços de um lado para o outro – Redmayne, conseguiu desestabilizar dois cobradores do Peru, Advincula e Valera, que erraram as suas cobranças.

Até então os australianos tinham desperdiçado um de seus chutes decisivos e precisavam reagir. “Eu não me considero um herói, apenas fiz meu papel como todos meus 27 companheiros fizeram aqui em Doha”, disse Redmayne, cercado pelos microfones na zona mista do estádio Ahmed bin Ali, onde os mata-matas que definirão os últimos classificados para o Mundial de 2022 estão acontecendo. “Futebol é um jogo de equipe e eu só coloquei em prática fundamentos que aprimorei nos treinamentos”.

O fato é que, por mais estranha que pareça, a técnica de Redmayne convenceu o técnico da seleção australiana, Graham Arnold, a apostar nela. Quando a prorrogação entre Austrália e Peru estava a caminho do tempo adicional, em um gesto ousado, Arnold trocou Mat Ryan, o goleiro titular e capitão do time, pelo terceiro reserva na posição. “Foi um plano arriscado, mas deu certo”, disse Arnold, durante sua entrevista coletiva na sala de conferências do estádio Ahmad bin Ali. “Eu sabia que ao menos incomodaria a concentração dos jogadores do Peru”.

Goleiro do Sidney FC, onde reveza na posição de titular com Tom Heward-Bayle, Redmayne está no clube desde janeiro de 2017. Apesar de nunca ter sido considerado o melhor goleiro de sua geração, em seu país, o fato é que se tornou temido em disputa por pênaltis. Em maio de 2019, foi repetindo o roteiro que mostrou em Al-Rayyan, que ele deu o título de campeão da Liga-A da Austrália ao seu time.

Naquele dia, Redmayne também dançou, provocando na final contra o Premiers Perth. Resultado: 4 a 1 para a sua equipe, na disputa dos pênaltis. Segundo Redmayne, a estratégia de colocá-lo como um elemento desestabilizador na cobrança de pênaltis, contra o Peru, começou a brotar, durante o período de treinamentos da seleção australiana já no Catar. “Nosso treinador de goleiros, John Crawley, me disse para estar pronto para entrar em ação”, conta.

Para não ferir suscetibilidades, o plano foi mantido em segredo, até do goleiro titular, Mat Ryan. “Ele não sabia de nada, mas me incentivou: quando nos olhamos, na beira do campo, disse que agora era comigo”. E tudo funcionou a mil maravilhas. Em nenhum momento, o goleiro australiano descumpriu a regra de sair da linha do gol, o que acabaria sendo identificado pelo VAR – e anulando qualquer eventual defesa.

“Durante as duas últimas cobranças, o próprio árbitro me disse que meus movimentos estavam dentro das regras, desde que eu não tentasse me adiantar”, contou.

O que poucos viram foi quando Redmayne arremessou a garrafa de água do goleiro peruano, Paolo Gallese, para longe, em uma clara tentativa de desestabilizá-lo. “Quase me custou um cartão amarelo, mas acho que se fizer algo, mesmo estúpido, ajuda a ter uma vantagem, ainda que de 1%. Estava pronto para fazê-lo”. Meio maluco, o fato é que o goleiro australiano com jeito de tiozão grunge, é o primeiro herói improvável da Copa do Catar.

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